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Cultura Hip-Hop em Salvador e a luta constante contra a criminalização do movimento
Você sabe como o Hip-Hop chegou na Bahia?
É um trabalho complexo afirmar com exatidão quando surgiram grandes manifestações culturais e ao se tratar de uma com tantas nuances quanto Hip-Hop o nível de complexidade é ainda mais elevado. Cada elemento chega a diferentes cidades em tempos diferentes e alcança pessoas em tempos diferentes. A autora nigeriana Chimamanda Adichie deu uma declaração que se tornou referência sobre os perigos de uma história única, em sua participação no Ted Talk, em 2014:
"Quando nós rejeitamos uma única história, quando percebemos que nunca há apenas uma história sobre nenhum lugar, nós conquistamos um tipo de paraíso"
Os desdobramentos do Hip-Hop chegam na Bahia em diferentes momentos e de várias formas. Enquanto nas cidades do interior grande parte da influência veio de outros estados do país, na capital as produções estadunidenses tiveram um peso maior, principalmente na Dança de Rua e na cultura dos DJs, consideradas por muito as primeiras a se instalarem no estado.
A cultura do DJ ainda vive
Os DJs foram as figuras centrais do movimento desde o seu surgimento e, assim como Graffiti,
sua
origem vem desde antes dessa cultura ter todos os seus elementos bem estabelecidos. Os “Disk
Jockeys” do Hip-Hop surgem em um contexto de criação de novas técnicas utilizando discos de
vinil e
numa época na qual jovens da periferia de Nova York sentiam necessidade de ser abraçados por um
movimento único para superar a situação de violência a qual eram submetidos.
Assim como nos Estados Unidos, a cultura dos DJs no Brasil começou com festas dentro de casa,
utilizando discos de vinil e fitas cassete na década de 1980 e apoiadores do movimento passaram a
moldar a cultura do Hip-Hop como uma espécie de voz da resistência contra um sistema que oprime
cidadãos periféricos. Esse sempre foi um jogo perigoso, já que desafiava as grandes autoridades do
país, que, consequentemente, pintavam o imaginário da nação.
As festas promovidas por DJs do movimento eram vistas como baderna e desde a chegada do
Hip-Hop como
algo consolidado no país, eram comuns as tentativas de censura e enfrentamento das forças policiais.
De acordo com a jornalista baiana Daniela Luciana(@danielaluciana) , a
grandeza dessa manifestação cultural é o fato
de oferecer ao povo periférico a capacidade de fazer algo, quando não se espera que eles façam nada
além de sobreviver, o que não poderia jamais cair nas graças do estado.
Ator representando Grandmaster Flash, um dos primeiros DJs de Hip-Hop do mundo (Foto: Reprodução/ Netflix)
Hamilton Oliveira, mais conhecido como DJ Branco(@djbranco007) , foi um dos
precursores do movimento em Salvador e
segue sendo uma das vozes mais importantes dessa manifestação cultural atualmente. Foi vendo o clipe
da música “Diários de um Detento”, dos Racionais MC’s, no seu intervalo de almoço que ele conheceu a
cultura e percebeu que queria fazer parte.
Branco foi o responsável por implantar políticas e viabilizar ações importantes para o
Movimento da
cidade, que serão citadas posteriormente nessa reportagem, e segue com foco total no potencial
comunitário e educativo do Hip-Hop.
Streetdance: Onde estão os b-boys e b-girls da Bahia?
A difusão do Hip-Hop em Salvador teve muita contribuição da grande mídia e cinema e TV foram importantes influenciadores da Dança de Rua, no livro “Bahia com H de Hip-Hop”, Jorge Hilton cita Wild Style (1983), Breakin’ (1984) e Beat Street (1984) como principais títulos.
De acordo com o pesquisador Lívio Sansone, a primeira referência desta cultura em Salvador
foi o
Baile Black Bahia (1979), que acontecia no antigo Esporte Clube Periperi, por muitos anos tida como
a maior casa de eventos da Bahia. Os grupos de Break considerados como os primeiros da Bahia
surgiram no começo da década de 1980 e alguns deles são o Break & Cia , de Cosme de
Faria; A
Galera
Quente do Break , do Lobato e Bahia Break , da Cidade Baixa.
Atualmente, festivais como o Certo pelo Certo e o Quebrada 071 ajudam a disseminar a cultura da
Dança de Rua baiana e a oferecer espaço para que artistas possam expressar devidamente sua arte,
além de eventos que têm como parte significativa as Batalhas de Break.
Ananias Break(@ananiasbreak) é fundador do grupo Ruas, que busca ampliar o alcance do
movimento na cidade, e
é
considerado um dos dançarinos pioneiros de Break em Salvador, é um dos responsáveis por
lançar na
Bahia a cultura do Break ligada à Capoeira, o que apelidou de Capobreaking em 2002.
Muitos
capoeiristas dançavam e dançam Break pois, segundo Ananias, para eles é fácil assimilar os
passos,
já que se assemelham tanto na filosofia quanto nos movimentos.
Michelle Arcanjo(@arcanjo.infinito), Licenciada e Bacharel em Dança pela Universidade
Federal da Bahia, é b-girl há
mais de 10 anos e conta que a diferença entre o cenário de hoje e o de antigamente é quase palpável,
principalmente após a pandemia do Covid-19. São pouquíssimos grupos atuantes e a falta de
subsistência dentro da cultura tem um peso grande nisso, já que “viver de arte é o sonho de todo
mundo que dança, mas não é uma situação viável para todos”.
Michelle Arcanjo em uma de suas apresentações (Foto: Arquivo Pessoal)
Para Michelle, o que deve ser a maior prioridade é o trabalho de manter a cultura viva
passando-a
adiante para crianças e adolescentes, é necessário confiar nas futuras gerações e o público
infanto-juvenil precisa ser abraçado para que isso aconteça. Não é um trabalho fácil para
profissionais da área, pois, segundo ela, ainda existe muito preconceito dentro dos ambientes
escolares e
nos próprios pais, é uma questão social de enxergar o Hip-Hop como marginal, e não no sentido de
estar à margem, mas no sentido de criminalidade.
Assim como as batalhas de rima e de DJ, a cultura da Dança de Rua sempre foi marcada pela competição
criativa e grandes competições de Streetdance são comuns hoje, mas a maior conquista dos
profissionais do movimento foi o reconhecimento do Break como modalidade olímpica, tendo sua
estreia
marcada para as Olimpíadas de 2014, na França.
Graffiti em Salvador: Uma galeria a céu aberto
O Graffiti é uma manifestação artística que evoluiu da pichação e antes do Hip-Hop não
existia
exatamente uma diferença conceitual entre os dois, muitos grafiteiros foram antigos pichadores que
evoluíram suas técnicas e enxergaram no Graffiti a oportunidade de valorizar ainda mais sua
arte. A
PPL(Person Pert Line), criada pelo grafiteiro Tom por volta de 1993, foi a primeira
equipe
de
Graffiti de Salvador e serviu de inspiração para toda uma geração.
O artista que assina como Lee 27(@leevintesete), um dos percussores do movimento, é natural de Castelo
Branco,
bairro considerado o polo de Graffiti em Salvador, e começou a grafitar também no início da
década
de 1990. Começou a se profissionalizar em 1999 com oficinas promovidas pelo Museu de Arte Moderna e
afirma ter “comprado” muitas brigas com a academia por sentir que grafiteiros não eram aceitos como
artistas.
Uma marca registrada de Lee é a africanização do Graffiti, enaltecendo a estética da
cidade
de
Salvador, que é a mais negra do país. Outros artistas locais buscam expressar a negritude e
baianidade em suas obras, como é o caso de Ananda Santana(@srt.as), grafiteira atuante há
mais de 8 anos, ela
confessa que pintava mulheres negras apenas por identificação no início, mas que hoje tem
consciência
do quanto é importante para mulheres, meninas e senhoras se enxergarem nos muros da cidade.
“Vejo como um ato político também, talvez antes de nós (Dois Detalhes) já houvesse vários grafiteiros pintando rostos de mulheres negras, até porque vivemos numa cidade majoritariamente negra, mas eu busco sempre trazer o meu olhar e o meu traço em cada rosto, e, além disso, ser mulher pintando também é um ato mais político ainda.”
Ananda concedeu ao projeto uma entrevista completa contando sua história e visões sobre a cena do Graffiti em Salvador. Você pode conferir na íntegra clicando aqui .
Graffiti nas paredes da Casa do Hip-Hop (Foto: Ana Clara Marques)
Além do seu poder transformador de vidas, o Graffiti tem o poder de transformar a estética da
cidade
e democratizar a arte plástica, já que, uma vez que está exposta nas ruas, não há distinção de
público, o observador é livre e assim consegue alcançar pessoas que muitas vezes não teriam
condições de frequentar galerias e exposições de arte. O Graffiti é de todos.
Apesar da beleza desse potencial democrático, o capital é o que move o mundo e cada vez mais
artistas desse segmento buscam formas de tirar o seu sustento da arte. Marcos Costa(@spraycabuloso), que assina
seus
trabalhos como Cabuloso, tem 23 anos de arte urbana e colore todos os cantos da cidade com suas
artes autorais, principalmente com desenhos do Boca Preta, um cachorro que fez parte da sua família
por quase 20 anos e hoje faz parte dos muros de toda a capital baiana.
Marcos criou junto com sua família, há mais de 2 anos, o Cabuloso Atelier(@cabuloso_atelier), loja de artes e
vestuário
situada no Pelourinho, para ele é imprescindível que artistas do movimento se organizem e busquem
meios de captar recursos para que consigam continuar praticando a arte pública também, além de ser
uma forma de incentivar que pessoas invistam em arte e possam patrocinar, de certa forma, projetos
artísticos e culturais.
Fotos: Ana Clara Marques
Ao longo da sua trajetória, Marcos participou de diversos projetos sociais envolvendo sua arte, como uma exposição no Circo de Soleil e um trabalho com o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA), onde trabalhou com jovens em situação de privação de liberdade. Seu principal conselho para artistas que pensam em transformar a arte em um negócio é acreditar em si e persistir, nada acontece sem paciência e vontade de vencer.
Os sons do Rap na cidade de Salvador
Elemento do Hip-Hop mais famoso da atualidade, o Rap não demora muito a chegar no Brasil e na década de 1980 os boatos dessa nova manifestação cultural começaram a dar gás para que grupos de jovens marginalizados escutassem e reproduzissem uma música que, finalmente, tinha sido feita para eles. O ponto de partida para a propagação dessa cultura foi em São Paulo, onde jovens costumavam se reunir na Galeria 24 de Maio e na estação de metrô São Bento, seus principais frequentadores eram Nelson Triunfo e Thaide .
Galera reunida em metrô na estação São Bento, 1986. (Foto: Reprodução/ Revista Vice)
Dentre os outros gêneros musicais da época, o Rap rapidamente se destacou como um questionador, era
muito mais do que apenas música, era um grande movimento de pessoas que enfim sentiam que podiam
mudar o mundo que era imposto a elas. Segundo Ricardo Tepperman, no livro “Se liga no som: As
transformações do Rap no Brasil”, o fortalecimento dos movimentos sociais após o fim da ditadura
militar criou um terreno propício para a politização e popularização do gênero.
Em Salvador, o primeiro grupo de que se tem ciência surgiu em 1991, chamado Leões do Rap, e
dos seus
12 integrantes apenas um não era de Cosme de Farias. Muita da influência vinha de São Paulo e é
comum encontrar em registros menções aos Racionais MCs, Thaíde e Gabriel, O Pensador, que possui
grande mérito na divulgação do gênero após sua primeira apresentação no Programa Jô Soares, em 1993.
Atualmente o estilo tem representatividade na capital e no interior da Bahia e muitos artistas
locais conseguem projeção através de Batalhas de Rima, a forma mais tradicional de se fazer Rap, uma
vez que o movimento inteiro surgiu de batalhas, seja de rima, de dança ou de DJs.
A principal batalha de Salvador atualmente é a Batalha da Torre(@batalhadatorre),
realizada no Parque dos Ventos, na
Boca do Rio, e reúne jovens de diferentes localidades de todo o estado da Bahia. A Torre é
responsável por revelar inúmeros talentos da cidade e seu canal do YouTube conta com mais de 80 mil
inscritos, clique na imagem para conhecer o canal.
O MC de nome artístico Bert(@bertedeira) , que acumula mais de 3 milhões de streams nas
plataformas
digitais e é
um dos principais nomes no cenário de Batalhas de Rima em Salvador, relata os maiores desafios
dentro da cena local. Apesar de ter crescido significamente em nível técnico e possibilitar que
artistas do movimento se aperfeiçoem ao ponto de batalhar em qualquer lugar do Brasil, o cenário se
encontra fraco quando comparado a outros estados ou até mesmo ao período pré-pandêmico, quando os
eventos tinham uma periodicidade demarcada e era comum encontrar batalhas grandes toda sexta, sábado
e domingo.
Segundo Bert, a falta de investimento é o maior obstáculo para artistas e a disparidade em
relação
ao Sudeste é quase palpável, principalmente em São Paulo, onde a cultura das batalhas e do
Rap em
geral é muito maior, o que faz com que seja necessário um contato constante com a região para se
lançar de forma mais efetiva no território brasileiro.
“Não adianta ser apenas muito bom. Quando eu fui pro Duelo Nacional de MCs (2017) eu era muito bom aqui, eu perdia pouquíssimas batalhas grandes e ainda assim não tinha o reconhecimento total e merecido, enquanto pessoas de outros lugares que tinham um nível técnico considerado abaixo do meu tinham muito mais, por eu ser daqui mesmo (Salvador), as batalhas não saíam na mídia e hoje continua assim. Hoje a gente tem muitos nomes bons da nova geração como Japa, Pitbull e Yoga que tiveram que sair da cidade e passar um tempo fora, assim como eu, para alcançar reconhecimento”, aponta Bert.
O artista reforça a diferença no nível de divulgação e estrutura entre as batalhas locais e as de São Paulo, que chegam até a ter apoio da prefeitura, e afirma sentir a necessidade de mais eventos que deem espaço para MCs da capital baiana, assim como a importância de os próprios residentes voltarem os olhos para a música que é produzida na própria cidade.
Para mulheres o cenário ganha um agravante a mais. Emily Santos, de nome artístico Mc Mlyn(@mcmlyn) e natural de Camaçari, relatou ter conhecido o universo das batalhas em São Paulo e se chocou ao explorar esse movimento na Bahia quando retornou, pela falta de mulheres nas rodas e pela dificuldade de acesso. Além dos desafios nas ruas, suas principais batalhas foram em casa, todas contra o machismo, preconceito e a falta de apoio da família.
“A bolha das batalhas ainda é muito machista, mas isso nunca foi um empecilho pra mim, a
falta de
apoio do meu pai foi. Ele sempre buscou a todo custo me levar para outros meios por não aceitar,
por
achar que o Rap é um meio de pessoas que usam droga, que tem poucas mulheres e eu seria “Maria
Macho” por frequentar, por ser um movimento da noite, costumava apanhar muito por fazer parte do
movimento...
Então eu sempre precisei me virar sozinha,
sem
dinheiro e nada mais, talvez se eu tivesse tido esse apoio eu estaria muito mais evoluída
profissionalmente."
Nomes em ascenção
As Batalhas de Rima e as redes sociais foram as principais impulsionadoras de muitos nomes de sucesso do estado, confira alguns artistas do movimento e um pouco da história de cada um
Mais do que as batalhas, hoje é cada vez mais comum ver jovens se lançando no mercado de forma
autônoma, produzindo suas próprias obras e publicando nas redes sociais e serviços de
streaming
musical. Um gênero que por muito tempo precisou combater a recriminação de que o que faziam “não era
música”, hoje é um dos mais ouvidos em todo o mundo.
O MC de nome artístico Nadler(@nxdler)
, de Salvador, sempre sonhou em viver de música e hoje vive esse sonho,
mas confessa que conquistar espaço ainda é um grande desafio, e sendo artista baiano a grande
dificuldade continua sendo “furar a bolha” do eixo RIO-SP. A invisibilidade da cena nordestina em
comparação ao sudeste do país é um problema até hoje, mesmo com o avanço considerável conquistado
após o lançamento da faixa “Sulicídio”, do rapper baiano Baco Exu do Blues e do pernambucano
Diomedes Chinaski.
Nadler concedeu ao projeto um vídeo contando sua visão sobre a cena soteropolitana
Black Mura(@blackmura_), natural de Feira
de
Santana, traz uma outra perspectiva e aborda a questão racial como
principal dificuldade.
“O Hip-Hop sempre será criminalizado pois vai de encontro ao sistema e a gente sente as consequências disso todos os dias. Até mesmo em um simples ato de pegar um Uber ou estar andando na rua e ser taxado como bandido pela cor de pele e pelo seu “Drip”. As pessoas ainda não estão preparadas pra ver pretos vencendo”, afirma.
A luta contra a invisibilidade e silenciamento da cena baiana precisa ser constante e partir de todos, ela vai da divulgação até o próprio consumo de músicas que vêm das cidades da Bahia.
Acompanhe o trabalho de artistas do movimento baiano através dessa Playlist no Spotify
Movimento x Cultura: O conhecimento como quinto elemento
Com todos os 4 elementos da cultura bem consolidados, foi o DJ Afrika Bambaataa que propôs um
5°: o
Conhecimento. Bambaataa é o criador da Zulu Nation (1977), a primeira organização comunitária do
Hip-Hop que tinha como objetivo enfrentar a violência a quais jovens periféricos eram submetidos no
Sul do Bronx, em Nova York, e enxergava nessa nova manifestação cultural o poder de servir como
instrumento de transformação de vidas.
Posse
Não levou muito até que esses jovens entendessem que precisavam criar uma espécie de consciência
coletiva para se opor ao descaso a que eram submetidos e o Hip-Hop entra nessa narrativa como um
agente de mudança e a partir dos anos 2000 se tornou um dos principais movimentadores de debates
sociais importantes para a conscientização da realidade periférica.
O Movimento Hip-Hop Baiano se iniciou em 26 de abril de 1996, com muita participação da Rede Ayê
Hip-Hop e da Posse Orí, uma das primeiras Posses de Salvador. Os primeiros anos
do Movimento
foram
com foco na divulgação da cultura de rua e a partir dos anos 2000 as rádios comunitárias passaram a
demonstrar apoio ao Hip-Hop.
Uma das passeatas organizar pela Rede Ayê Hip-Hop (Imagem: Reprodução/ Facebook Casa do Hip-Hop Bahia)
Ainda nos anos 2000, muito foi conquistado pelo Movimento, como a introdução do programa “Evolução
Hip-Hop” na Rádio Pública da Bahia - Educadora FM -, uma das mais conservadoras da época e
representou um marco na história do Hip-Hop do país. O programa era formado por DJ Branco,
Jorge Hilton, Mia Lopes e Paulo Filho em 2007, hoje comandado apenas por Branco
e é uma referência para
todo o país.
DJ Branco também foi o responsável por criar a CMA Hip-Hop (Comunicação, Militância e Atitude
Hip-Hop), um núcleo de comunicação criado em 2005 com o objetivo de potencializar o alcance do
Movimento baiano e demais movimentos sociais. Até hoje a CMA vem contribuindo para a superação das
barreiras culturais e simbólicas mantidas por grandes veículos da mídia convencional.
Jorge Hilton(@jorgehilton.a.m) , autor e membro da Universal Zulu Nation, afirma que a
maior diferença entre o
Movimento da década de 1990 e o de hoje é justamente a presença dos coletivos. As chamadas “Posses”
eram núcleos que desenvolviam ações, promoviam encontros e eventos relacionados ao Hip-Hop, com o
objetivo de fortalecer a cena local e hoje não se vê mais tantas experiências nesse sentido, ao
menos não comparado ao que era antes. Os encontros anuais costumavam ser grandes eventos e
movimentavam bastante a cena soteropolitana, baiana e nordestina, e apesar de ainda acontecerem em
algumas cidades do interior e Recôncavo, não se compara ao que é hoje
No livro “Bahia com H de Hip-Hop”, Hilton libera uma playlist especial com vídeos de diversos
Encontros de Hip-Hop na Bahia, é a oportunidade ideal de se ter uma maior noção de como esse
movimento atuava na cidade
Uma das maiores conquistas do Movimento baiano da atualidade foi a construção da Casa do Hip-Hop Bahia , no Largo Quincas
Berro D’água, no Pelourinho. A Casa era
idealizada desde 2004 pela antiga
Rede Ayê Hip-Hop, que foi o principal grupo articulador de posses e grupos ligados ao Movimento de
Salvador e Lauro de Freitas, mas por falta de condições dos membros o projeto só pôde ser tocado em
frente em 2018, com apoio do Governo do Estado e com liderança de DJ Branco.
Para Hilton, um dos principais participantes do Movimento, ainda há muito a ser mudado no cenário
local e no imaginário das pessoas, mas esse é um trabalho difícil e que exige a participação e
empenho de indivíduos realmente comprometidos com a transformação
Escute o depoimento de Jorge Hilton sobre o que necessita de mudança na cena de Hip-Hop
baiano, na
íntegra:
